Jupiterweb, AEX, Moodle, e tudo o que vem com passar na USP

Passar na USP é uma conquista enorme e, para muita gente, a realização de um sonho que levou anos. Só que permanecer lá e avançar nem sempre vem acompanhado da felicidade que se esperava. É comum escutar “eu deveria estar bem, mas estou exausto e ansioso o tempo todo”. Na graduação todo mundo parece saber exatamente o que está fazendo. A dúvida sobre merecer estar ali aparece, junto com o medo constante de não dar conta das provas, dos seminários, das médias e de tudo o que, em si, ainda é uma novidade na sua vida.

Essa ansiedade de desempenho muitas vezes vira procrastinação, bloqueio na hora de estudar e aquela sensação de estar sempre atrasado. Para quem veio de outra cidade ou estado, tem ainda o peso de estar longe de casa, de lidar com a saudade e com a perda da rede de apoio. No meio do bandejão, das festas, da iniciação científica e dos estágios, fica difícil equilibrar vida acadêmica, social e profissional, e a comparação com os colegas pode deixar a solidão ainda maior. Na pós-graduação a cobrança muda de forma, mas não diminui. O vínculo com o orientador passa a ocupar um lugar central e traz junto o medo de decepcionar e a dificuldade de dizer que não está conseguindo. A rotina é atravessada por artigos, congressos, relatórios e bolsa, e cria-se a sensação de que seria preciso estar produzindo o tempo todo, o que faz com que qualquer descanso venha acompanhado de culpa, e mesmo quando se produz, parece nunca ser suficiente. Soma-se a isso a incerteza sobre o futuro, se faz sentido continuar na carreira acadêmica ou ir para o mercado, enquanto a vida fora da USP parece seguir em outro ritmo, com amigos tomando outros rumos.

O que a graduação e a pós têm em comum é esse estado de estar sempre no limite, que muitas vezes aparece como ansiedade, alterações de sono e alimentação, crises de autoestima e desânimo. A psicoterapia entra aí não como um lugar para te fazer produzir mais, mas para entender o que desse sofrimento é seu, o que faz parte da lógica da instituição e o que pode ser construído de um jeito diferente, que respeite sua história. É um espaço para organizar a rotina, lidar com a autocobrança, resgatar partes da vida que ficaram de lado e encontrar uma forma de permanecer na USP sem se perder de si.

Beatriz Veronezi, psicóloga CRP 06/135282,

Atendimento presencial no Butantã, na Av. Vital Brasil, 305, e também online.


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